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Questão de opção

Opções, escolhas, alternativas. Chame como quiser, eu chamo de “O quê que eu faço agora??”

Talvez uma das maiores dádivas e maldições da vida: as escolhas. Por um lado, a magnífica sensação de liberdade e de autonomia em um mundo livre. Por outro, a incerteza de não ter tomado a decisão certa, e posteriormente talvez, a amargura da decisão errada.

Por que é tão difícil escolher? Seja qual tênis eu vou usar hoje ou “o que eu vou ser da vida?”, optar por uma delas é uma verdadeira arte, que se não for bem administrada, pode virar um martírio.

Nosso engenhoso cérebro sabe que tudo terá consequências, como num grande RPG live action, o que escolhemos agora irá nos influenciar de diferentes modos no futuro. O fato de você ter escolhido o All Star pra sair hoje a noite pode ser corriqueiro pra você. Mas e se, durante o “rolê” com a galera, uma garota do outro lado da calçada repara no seu pisante, meio velho e encardido, acha legal e resolve atravessar a rua pra dar um olhada mais de perto. E quando você a vê caminhando em sua direção, nota que ela pode não ser só mais uma garota bonita passado por você, e sim, talvez, o amor da sua vida.

Muita viagem? Sim. Mas nesse mundo de mais de 6 bilhões de pessoas, onde coisas estranhas acontecem a todo o tempo (principalmente na Rússia) quem garante que isso não possa acontecer? Daí aquela simples ação de calçar o seu querido Chuck Taylor ao invés do Adidas mudou a sua vida.

Não quero alarmar, nem criar uma nova fobia urbana, mas sim fazer pensar. Será que tomamos as decisões corretas, até agora? Será que tudo gerou consequências boas e construtivas? Talvez sim, talvez não, talvez. O que importa é que escolhemos, e não deixamos passar. O que importa é que aprendemos, e evoluímos um pouquinho a mais. Mesmo que tenha sido a opção errada, ela também nos fez caminhar.

Escolher é ponderar, pesar vantagens e desvantagens, mas também é automaticamente abdicar. E isso é uma coisa que o ser humano ainda não se acostumou. Deixar qualquer coisa pra trás é muito difícil (ou vai me dizer que você ainda não pensa naquela(e) ex?) ainda mais ficar com um bichinho na consciência dizendo que a outra opção poderia ter sido melhor. Ah ser humano, acho que você nunca vai estar pronto pra isso.

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Pensamentos

A difícil arte de ter opinião

Todo dia, assistimos, ouvimos e absorvemos coisas e assuntos novos. Alguns relevantes, outros nem tanto. Alguns engraçados outros nem tanto. Alguns informativos outros nem tanto.

Já nesse ato de acharmos ou não relevante, engraçado, útil e etc, expressamos nossa opinião.

O dicionário Michaelis descreve opinião como:

sf (lat opinione) 1 Maneira de opinar; modo de ver pessoal; parecer, voto emitido ou manifestado sobre certo assunto. 2 Asserção sem fundamento; presunção. 3 Conceito, reputação.4 Juízo ou sentimento que se manifesta em assunto sujeito a deliberação. 5 Capricho, teimosia. (…)

Ou seja, baseados em nossos conhecimentos e experiências de vida, somos capazes de dar um parecer sobre aquilo que acabamos de absorver, um parecer PESSOAL.

Por muitas vezes, também levamos em conta a opinião de terceiros, sejam pessoas do nosso círculo de convivência ou até mesmo, pessoas as quais temos admiração, como cientistas, filósofos e artistas (por artistas entendam músicos, pintores, atores etc. Ex-BBBs NÃO CONTAM).

Mas ultimamente, tenho percebido que ter uma opinião contrária a da maioria, deixou de ser apenas um direito constitucional meu, e passou a ser encarado com maus olhos.

Não adianta argumentar, defender seus motivos e mostrar fatos. Pra eles, você está errado. Aliás, não só errado, você está sendo ofensivo.

É triste não poder mais ter uma discussão sadia sobre determinado assunto, pois se você tem uma opinião diferente do senso comum, será visto como anarquista-comunista-nazista-ET-de-varginha que ousa usar um pouco da sua cabeça e ter outra visão sobre o assunto discutido.

É triste ver como o ser mais “evoluído” dentre os animais se comporta justamente como um ser sem as mesmas capacidades de raciocínio, e passa a simplesmente não aceitar que você pensa diferente dele. Podem chamar de ignorância, de burrice, de teimosia. Eu chamo de intolerância. A partir do momento em que eu defendo meu ponto de vista, de forma racional e educada, e minha opinião é vista com hostilidade, pra mim é intolerância. A mesma intolerância que, com grandes doses de psicopatia, fez Hitler conceber o holocausto.

Por opinião, também quero dizer suas escolhas pessoais, desde seu time de futebol à sua religião.

Eu torço pro Corinthians por N motivos. É o time do meu pai, sou apaixonado por ele, vários jogadores importantes jogaram por lá e etc. Já o meu caro comparsa blogueiro Raphael (@loucurapoka)é palmeirense até o osso. Obviamente ele tem os motivos dele pra gostar do verdão assim como também tem motivos pra não gostar do coringão. Temos o ponto de discussão, as argumentações e as opiniões. Pronto. Ninguém saiu ferido. Não é porque ele torce pro arque-rival do meu time, que eu vou partir pra ignorância. Não é porque ele usa verde que eu vou deixar de andar com ele. Assim como ele também não vai deixar de falar comigo, apesar dele ainda achar o Palmeiras melhor que o Corinthians (coitado…).

Ainda usando meu nobre companheiro Raphael como exemplo, posso citar a complicadíssima questão da religião. Ele é evangélico e eu sou ateu. Ele tem as próprias convicções de porque acreditar em Deus, e eu tenho as minhas de porque não acreditar. Apesar dessa diferença, que muitos podem considerar enorme (tal qual a infinita disputa entre Palestinos e Judeus) eu e ele fizemos quatro anos de faculdade juntos, sendo do mesmo grupo, estudando juntos cinco dias por semana, e por várias vezes se vendo aos finais de semana, não só para fazer trabalhos mas como também para se divertir e sair com a galera. Ou seja, temos claramente opiniões diferentes sobre um assunto muito polêmico, mas como pessoas civilizadas que somos, aceitamos os argumentos um do outro e convivemos na mais perfeita paz.

Ainda falando de religião, isso me lembra um texto do Marcel (@bqeg – blogs “Byte Que Eu Gosto” e “Cadê o meu Dorflex?”), e parafraseando ele, quando as pessoas ficam sabendo que não tenho religião e não creio num deus, ao invés de ateu ouvem “leproso”. Passam a me encarar diferente, como se eu fosse uma pessoa sem escrúpulos, um assassino. É triste, mas acontece.

Somos diferentes por natureza, cada pessoa tem sua impressão digital única. Cada pessoa tem seu DNA único. E por que não ter também sua opinião única? É preciso aprender que ACEITAR uma opinião não significa automaticamente CONCORDAR. Eu aceito que o Raphel é palmeirense, assim como ele aceita que eu seja corintiano, e isso não nos faz menos fanáticos por nossos clubes nem menos amigos um do outro.

Creio que a capacidade da fala, e logo da argumentação, seja o que mais nos diferencia do resto do reino animal, então será que não está na hora de usarmos elas decentemente e passarmos a finalmente ser a espécia mais evoluída, ao invés de simplesmente repudiar violentamente a opinião alheia?

P.s.: Podem deixar suas opiniões, prometo aceitá-las =)

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