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Filhos da Revolução

Como eu havia dito no post sobre as famigeradas olimpíadas do Rio. Aqui está o post.

Então é 2009. Quase fim da primeira década do terceiro milênio. Quarenta anos após woodstock, vinte e seis anos após as Diretas Já . E cá estamos nós. Vendo nossas calças serem roubadas, ainda em nossos corpos, por “políticos” e “governantes”.

A primeira vista pode parecer mais um post daqueles revolucionários baratos, que não tem mais o que fazer. Mas não vou falar dos políticos, e sim, de nós mesmos.

A última grande manifestação nacional foi o impeachment do Collor, em que muitos de nós (eu pelo menos) eramos pequenas crianças alheias ao que acontecia. Daí crescemos. Jogamos SNES, vimos algumas copas, passamos por crises financeiras, desvalorizações da moeda. Mas uma coisa sempre continuava igual: a corrupção política, que por acaso foi o que motivou a retirada do atual Senador de Alagoas.

Recentemente temos passado por um número impressionante de CPI’s e denúncias. Uma atrás da outra e cada acusação mais sórdida do que a outra (haja vista o castelo do deputado). Então por que ninguém faz nada? Nossos pais e talvez irmãos mais velhos saíram as ruas há 17 anos, com a cara, coragem e convicção de estarem, finalmente, num país livre de ditadura.

Então por que menos de 20 anos depois, ninguém se mexe? O que houve com o “espírito jovem”?

Parece estar acontecendo uma entropia generalizada, onde crimes políticos se tornaram algo trivial e irrelevante, assim como uma novela das 8. Ninguém mais se importa com a política e o rumo do país, em que todos se esquecem que estão morando. Política se tornou assunto para velhos, para nossos pais. Isso demonstra o nascimento da pior ignorância possível:  a da Informação.

Vivemos na era da informação, da interatividade e das multiconexões. E mesmo assim, a maioria dos jovens é indiferente ao que acontece. E toda a técnologia atual me faz pensar em dois pontos: 1º Justamente o acesso a informação. Não dependemos mais de jornais diários, agora temos portais, blogs e twitter que nos possibilitam monitorar vários assuntos instantâneamente. 2º A organização. Imaginem o trabalho necessário para organizar uma passeata quando não havia internet. Milhares de cartas precisavam ser trocadas. Incontáveis telefonemas eram dados e tudo era arranjado principalmente no boca-a-boca. Mas, por que hoje em dia, com todas essas ferramentas que eu acabei de citar, ninguém faz nada? Com um simples tweet é possível notificar milhares de seguidores. No msn, combinam-se os horários e locais. E para quem ainda não foi avisado, manda-se um recado no orkut ou no facebook. Talvez seja justamente esse o problema, a facilidade (e eu acredito e espero muito que seja isso). Ela muitas vezes acaba com a vontade e inspiração das pessoas. Tomara mesmo que seja isso. Ou então, fomos nós as “crianças do impeachment” que perdemos, não herdamos, ou simplesmente não nascemos com o espírito de inconformismo, que faz uma pessoa mudar o lugar que vive, lutando e brigando se for necessário.

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