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Eu e o nada.

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Eu.
Eu e o nada.
Eu começo tudo e não termino nada.
Eu quero ser tudo e não sou nada.
Eu quero amar, ela quer ser amada.
Tento ser completo, mas a alma, inacabada.
Tento ser chuva, mas acabo pedrada.
Tento subir novamente a escada inalcançada.
Tentativa, erro, segue o caminho, ideia não aplicada.
Falo, discurso, explico, mas não se ouve nada.
Ao meu redor, romaria, procissão, manada.
Segue a vida, a inércia, a má vontade exacerbada.
O descontrole, o descaso, e o desafeto da jornada.
Vazio, sorriso e dor, existência moldada.
Inexperiência, aprendizado, estranhamento, data marcada.
Desperdício, de tempo, de vida, valores e pele suada.
Menos é mais, sem esforço, sem remorso, experiência empurrada.
E no crescer da vivência, morre a incerteza, chocada.
Deixar para trás, olhar pra frente, soltar as mãos, entrelaçadas.
Todo dia desafio, reinvenção, orgulho, repreensão obstinada.
Só um caminho, pouco tempo, expectativas variadas.
O esquecimento, da essência, do objetivo, da alma acorrentada.
Nada a perder, nada a se prender, todo dia coisa nova, prendada.
E no seguir da existência, não se prenda, cabeça libertada.
Pois assim sigo, as dúvidas, as respostas, eu e o nada.

 

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Doce Melancolia

Difícil dizer quando começa ou quando termina. As vezes parece que já começou antes de acordar. As vezes parece que vem 5 minutos após acordar, e as vezes parece que espera eu estar feliz pra aparecer.

“Estar feliz”. Conceito tão subjetivo…

Será que eu sei o que é isso? Será que já senti? Possivelmente sim, mas o ser humano nunca está satisfeito, sempre quer mais, sempre acha que pode almejar mais do que já tem. Então caio nesse looping infinito de quase satisfação. Será que já fui feliz? Será que alguém já foi realmente feliz?

Se tudo (e por tudo eu quero dizer, a vida, a ciência, a matéria e o universo) é composto de paradoxos e ambiguidades; Se para haver luz é necessário que existam as trevas; Se para haver o doce é necessário provar do salgado; Como conhecer a felicidade sem ter vivenciado a sua ausência?

Esse é o mal da contemporaneidade. “Faça o que te faz feliz”. “Esteja com quem te faz feliz”. “Goste de quem gosta de você”. “Todos são especiais”. “Todos são vencedores”. E assim, jargão por jargão, aforisma por aforisma, falácia por falácia somos carinhosamente convencidos de que só existe um lado da moeda. Apenas o lado brilhante, polido, reluzente, cheio de valor e gozo.

Sentimento tão desprezado é a melancolia. Chega até a ser irônico. Todos fogem de seu manto e abraço como se fosse a própria morte. Tão relegada aos esquisitões, pobre coitada. Toda largada, amassada e feia. Mas quando você cai, ela está lá por você. Sempre estará. Sempre disposta a te carregar pelo que te afliges e pelo que te esmagas em tal momento. Não fujas de seus confortos, eles não são pás de areia sobre sua cabeça, são degraus, cirurgicamente colocados à sua frente. Passo a passo. Pé a pé. Da altura e largura que necessitares. Ela está lá pra isso. Pra te impulsionar de volta até a sua queridinha, brilhante, vívida e cheia de valor, felicidade.

Mas é claro que manter-se na nebulosidade, só te faz mudar para o lado B do problema, e então passar a sobreviver da melancolia que te acolhe torna-se teu novo mundo real. E é sabido que mundo real sem dualidade, sem confronto, sem dia e noite não é mundo real.

O alto do muro também não é a opção. Apenas adernar a cabeça para lá ou para cá não te fará cabível de toda a imersão de cada lado. Se é pra fazer, que seja intenso. Seja qual for o lado. Claro ou escuro. E mesmo no escuro, não tente apenas subir no muro novamente. Fique na escuridão até que seus olhos se acostumem com a falta de claridade e volte a enxergar novamente, e então, mas só então, pule de volta, e seja ofuscado pelo brilho do lado queridinho. Por todo o seu esplendor e austeridade, da qual você também tem direito plenamente, pelo menos em quanto você for digno de se manter desse lado.

Vai criança, corre, pula, brinca, mas se cair, não esperneie. Apenas chore e encare a dor, sinta a dor, compreenda a dor, conviva com a dor. Depois levante, ande, lave a ferida, cicatrize e conte pra todos mais essa história. História verdadeira, com medalha tangível e visível a olho nu. Não é necessário sair se vangloriando, mas tenha aquele sorriso no canto da boca, pois a apesar dos pesares, foi você mesmo quem a cicatrizou. E, de vez em quando, mesmo que por um breve momento, mesmo que sejam naqueles cinco minutos de insonia logo após deitar, lembre daquela que pôs os degraus a sua frente, quando você caiu. Um abraço, doce melancolia.

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Escravo do Futuro

E aí esta ele. Facilitando a dificuldade e criando o excesso de necessidade. Me devorando como se não houvesse amanha. Aí esta o futuro.

Ele chegou de fininho e me pegou no colo, trazendo o conforto e superproteção de uma mãe. Mas junto a isso também trouxe a dependência que é típica para com nossas projenitoras.

É tanta modernidade e opção, que começo a ficar tonto e confuso. Quero ter uma rotina, mas ela me devora. Quero sair da rotina, mas ela me digere. Quero ser alguem nesse mundo, por meio de minha expressão em forma de conteúdo, e mesmo com tantas opções, não consigo.

São muitas opções. Muitas mesmo. Do velho trambolho tecnológico a qual fico preso mais da metade do dia, até o leve, reluzente e moderno quadradinho que carrego no bolso. Todos eles se abrem para mim como janelas de oportunidade de expressão, mas o excesso de janelas, sopra um vendaval em minha face, o qual me cega e desanima.

Aplicativo para filmar. Aplicativo para fotografar. Aplicativo para escrever. Aplicativo cantar. E, se duvidar, até aplicativo pra morrer. Nessa selva de apps, me sinto perdido. E ao mesmo tempo em que me tornei escravo da tecnologia, não consigo tirar o máximo dela.

E lá se vai mais uma idéia não concretizada…
Lá se vai mais uma arte não finalizada…
Se vai mais uma música não gravada….
Se vai.

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Só porque

Só porque eu achei que ia sair cedo

Só porque eu achei que ia cortar o cabelo

Só porque eu achei que ia tocar guitarra

Só porque eu achei que seria uma semana tranquila

Só porque eu achei que não iria embora tarde

Só porque eu achei que teria uma noite normal

Só porque eu achei que…

 

 

Em parceria com Thomaz Cordeiro

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Pensamentos

Visões

Bendito seja Odin por nos permitir mudar de opinião .

Tudo no mundo está em constante mutação, não é diferente a mente humana.
Novas convicções, costumes, línguas,  partidos, modas, modelos. Tudo novo.

Então por que se manter igual?

As pedras já existem para serem duras por nós, não precisamos também nos martirizar e exercer esse papel. Ousar enfrentar as próprias convicções e idiossincrasias não é crime, pelo contrário, é libertação. Nem que seja um pouco por dia, livre-se delas, vá postergando-as sem medo. Sinta o novo deixando suas pernas dormentes e sua visão turva.
Não tenha medo disso, você vai perceber que é libertador.

Pode dar medo de inicio (e vai dar), enfrentar paradigmas criados pelo seu eu a tanto tempo não é uma batalha que não doa. Mas é justamente a dor que vai te fazer ter certeza que tudo isso foi bom.

Lapide essas arestas de uma mente quadrada e estagnada. Beba liberdade em goles fartos (ou em shots rápidos se preferir), sem medo da tontura da felicidade, ou de uma posterior dor de cabeça do cotidiano, ele existe pra isso, nos manter sociáveis enquanto pudermos, porque quando não aguentarmos mais, os muros levantados em nossa consciência estarão lá para serem pulados, derrubados, explodidos ou seja lá o jeito que você preferir para obliterá-los.
Por isso, pare agora, olhe pra dentro, encare aquele velho quadro que você pintou sobre algum aspecto da sua insignificante existência nesse reles planetoide, arranque-o da parede, jogue um balde de tinta fresca no vazio deixado e pinte com as próprias mãos a sua volta por cima nas convicções de outrora.

A pior coisa do mundo é não poder andar por ter medo de gastar as pernas. Pare de envergonhar a própria existência e bote os membros inferiores pra trabalhar. Logo verá que todos os valores e imagens que há tanto tempo habitavam a cidade proibida da sua ilusão mental não passavam de meras foto-cópias das fotos das sombras da caverna.

Pare já com isso, encare a parede da caverna, questione-a, depois se apoie nela até sair de lá e encontrar a luz do lado de fora de uma existência livre, que vai tornar digna a frase: “Eu sou vivo”

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Reticências

Inspiração vem dos outros, motivação de você mesmo. Já ouvi isso algumas vezes, e tenho que concordar.

Mas há que se notar que é um ciclo vicioso. É necessário estar inspirado pra alcançar a motivação. E é necessário estar motivado pra extrair a inspiração. Então por onde eu começo?

E quando não se tem nenhuma das duas? E quando não se sabe pra onde apontar, olhar, ouvir…

O mundo venceu? Ou você morreu? Ou ainda está dormindo achando que já perdeu antes mesmo de botar o pé no chão? Se ainda for um sonho, então aproveitarei e criarei minhas próprias leis da física. Desafiarei o obvio, para tentar me reinventar. Farei uma inception particular.

Mas antes de tudo, tenho que voltar a conseguir dormir. Tentar ao menos. Ou daqui a pouco começarei a falar com Tyler Durden e farei toneladas de sabão enquanto planejo como ferrar o sistema.

Aliás, seria até bom se encontrasse ele. Uma boa briga não faz mal a ninguém, principalmente quando é contra sua própria passividade.

Mas porque você não vem? Por que você volta? Por que acaba comigo lentamente?

Malditos assuntos inacabados. Maldito espírito Asimoviano que me controla.  Alguém escreva uma linha de código que me liberte, ou quebre a porcaria do controle remoto de uma vez.

Mas por onde começar? Pode estar bem perto. Se estiver melhor, tentarei não deixar escapar. Caso a distância seja maior, melhor preparar um bom calçado para não criar calos. E quando chegar lá, não olhar pra trás, apenas aproveitar a vista, e saber que nada deveria ser melhor do que o que já está acontecendo quando tudo não poderia ser previsto…

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And you don’t see me

Threw you the obvious
And you flew with it on your back,
A name in your recollection,
Down among a million same.

 

Difficult not to feel a little bit
Disappointed and passed over
When I look right through
To see you naked but oblivious
And you don’t see me.

 

But I threw you the obvious
Just to see if there’s more behind the
Eyes of a fallen angel,
Eyes of a tragedy.

 

Here I am expecting just a little bit
too much from the wounded.

 

But I see, see through it all,
See through and see you.

 

‘Cause I threw you the obvious
To see what occurs behind the
Eyes of a fallen angel,
Eyes of a tragedy.
Oh well, oh well, apparently nothing.
Apparently nothing at all.

 

You don’t, you don’t, you don’t see me.
You don’t, you don’t, you don’t see me.
You don’t, you don’t, you don’t see me.
You don’t, you don’t, you don’t see me.
You don’t see me.
You don’t, you don’t, you don’t see me at all.
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There is a light, and it never goes out…

Take me out tonight
Where there’s music and there’s people
Who are young and alive
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven’t got one
Anymore
Take me out tonight
Because I want to see people
And I want to see lights
Driving in your car
Oh please don’t drop me home
Because it’s not my home
It’s their home
And I’m welcome no more
And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure and the privilege is mine
Take me out tonight
Oh take me anywhere
I don’t care, I don’t care, I don’t care
And in the darkened underpass
I thought “Oh God, my chance has come at last”
But then a strange fear gripped me
And I just couldn’t ask
Take me out tonight
Take me anywhere
I don’t care, I don’t care, I don’t care
Just driving in your car
I never never want to go home
Because I haven’t got one
Oh, I haven’t got one
There is a light that never goes out
There is a light that never goes out
There is a light that never goes out
There is a light that never goes out…

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Pensamentos

O que é você?

Não basta andar, falar, comer, beber, fazer. Também é preciso ser. Ser alguém, algo, alguma coisa que seja.

E para ser, é necessário a essência. Venha ela da onde for. Para ser o que você quer, não basta desejar. Tem que fazer. Fazer por merecer, fazer aparecer, fazer te notarem como o que você é.

E sendo, não pare de ser. Continue indo, andando fazendo acontecer. Ou suma da frente e não atrapalhe aquele que deseja mais forte do que você.

Mova-se. Sempre em frente e com certeza. mas caso a certeza escape de seu alcance, pare. Olhe. Escute. Reflita, e volte atrás aonde você a deixou. E recuperando-a, não cesse sua caminhada rumo ao seus objetivos.

Liberte-se. Não se prenda a nada que não ache justo. Não ache justo àquilo a que não se deve prender. Pois viver na injustiça, já  faz parte das estigmas diárias. Livre-se delas, livre-se dos machucados, livre-se das escaras adquiridas pelo óbvio.

Não seja óbvio. Seja coerente. Acredite na ironia. Ironize algo, ironize a você mesmo, ironize a vida, porque de séria já basta a morte.

Felicidade. Não acredite nessa falácia. Acredite em você.

Moral e bons costumes. Apenas para os fracos.

Descontrua a obviedade, e lute pela liberdade de expressão, e principalmente, pela liberdade de ação.

A ação de permitir-se viver. De permitir-se correr riscos e aceitar verdades, mesmo que elas não sejam suas verdades.

Mastigue o hoje, engula o amanhã. E na manhã seguinte vomite com o orgulho o passado. Aquele mesmo passado que te dá um sorriso na cara, toda vez que retorna ao seu figuramento. Ou caso ele não seja tão bom assim, curta a ressaca da decepção e do arrependimento, mas se preparando, para quando encarar seus semblantes novamente, tomá-los de uma só vez numa bela golada de vitória e supremacia.

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Conceitos

matrix_2

“Não há destino” – Talvez seja a parte que eu mais goste em Matrix. Simples e direta. Não há destinos, não há formas nem formatações a serem praticadas. Só há vontade e moção.

Nascemos tão livres e receptivos, por que nos cegarmos e seguirmos um caminho que não queremos? Por que abdicar do riso diário, da vontade própria, e até mesmo da sua dose homeopática de hedonismo por causa de um conceito?

Já não bastasse as obrigações diárias, o pouco de felicidade e prazer que nos resta, vai aos poucos tendo que ser postergado, para enfim, ser trocado a força pela diversão conceitual que te dominará, pois quem sai dela, é desajustado e imaturo. E é claro que ninguém quer sair do padrão médio não é? Claro que não…

Maturidade: A arte de você deixar de ser o que realmente é, fazer o que realmente gosta, e se acoplar a um rótulo em troca de uma aceitação sob a visão adulta. Ou como eu prefiro definir: A arte de você deixar de ser quem é, deixar de fazer o que gosta e perder seus interesses, para ter que se ajustar a um padrão “pai-de-família-da-classe-média”, ter seu carrinho popular na garagem, sua bela esposa na cozinha, sua casa com cerquinha branca e um cachorro chamado Rex.

Sair desse caminho social, faz os outros te olharem tal qual você fosse uma pessoa com necessidades especiais. Não te levam a sério, acham efêmero, e no fundo, rezam para que você deixe logos suas “manias” e seja “normal”. E claro, olham com o distinto olhar de inquisição dos que acham que você não cresceu.

(Por “manias”, entenda-se todo tipo de diversão social que não seja “adulta” tal qual futebol com os amigos, assistir Faustão e ver a rodada do brasileirão aos domingos.)

Num mundo com tantas possibilidades e caminhos, só temos a perder seguindo conceitos auto-degenerativos e retrógrados como a falácia da maturidade.

Está na hora de perceber que o tal sentido da vida, que tantos procuram, simplesmente não existe. Não existe por que não há um sentido, não apenas um, mas vários. E cada um deles é você quem faz e almeja. Sem precisar se prender a dogmas e conceitos forjados a mãos de ferro na abatida e domada sociedade.

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