Reticências

Inspiração vem dos outros, motivação de você mesmo. Já ouvi isso algumas vezes, e tenho que concordar.

Mas há que se notar que é um ciclo vicioso. É necessário estar inspirado pra alcançar a motivação. E é necessário estar motivado pra extrair a inspiração. Então por onde eu começo?

E quando não se tem nenhuma das duas? E quando não se sabe pra onde apontar, olhar, ouvir…

O mundo venceu? Ou você morreu? Ou ainda está dormindo achando que já perdeu antes mesmo de botar o pé no chão? Se ainda for um sonho, então aproveitarei e criarei minhas próprias leis da física. Desafiarei o obvio, para tentar me reinventar. Farei uma inception particular.

Mas antes de tudo, tenho que voltar a conseguir dormir. Tentar ao menos. Ou daqui a pouco começarei a falar com Tyler Durden e farei toneladas de sabão enquanto planejo como ferrar o sistema.

Aliás, seria até bom se encontrasse ele. Uma boa briga não faz mal a ninguém, principalmente quando é contra sua própria passividade.

Mas porque você não vem? Por que você volta? Por que acaba comigo lentamente?

Malditos assuntos inacabados. Maldito espírito Asimoviano que me controla.  Alguém escreva uma linha de código que me liberte, ou quebre a porcaria do controle remoto de uma vez.

Mas por onde começar? Pode estar bem perto. Se estiver melhor, tentarei não deixar escapar. Caso a distância seja maior, melhor preparar um bom calçado para não criar calos. E quando chegar lá, não olhar pra trás, apenas aproveitar a vista, e saber que nada deveria ser melhor do que o que já está acontecendo quando tudo não poderia ser previsto…

And you don’t see me

Threw you the obvious
And you flew with it on your back,
A name in your recollection,
Down among a million same.

 

Difficult not to feel a little bit
Disappointed and passed over
When I look right through
To see you naked but oblivious
And you don’t see me.

 

But I threw you the obvious
Just to see if there’s more behind the
Eyes of a fallen angel,
Eyes of a tragedy.

 

Here I am expecting just a little bit
too much from the wounded.

 

But I see, see through it all,
See through and see you.

 

‘Cause I threw you the obvious
To see what occurs behind the
Eyes of a fallen angel,
Eyes of a tragedy.
Oh well, oh well, apparently nothing.
Apparently nothing at all.

 

You don’t, you don’t, you don’t see me.
You don’t, you don’t, you don’t see me.
You don’t, you don’t, you don’t see me.
You don’t, you don’t, you don’t see me.
You don’t see me.
You don’t, you don’t, you don’t see me at all.

There is a light, and it never goes out…

Take me out tonight
Where there’s music and there’s people
Who are young and alive
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven’t got one
Anymore
Take me out tonight
Because I want to see people
And I want to see lights
Driving in your car
Oh please don’t drop me home
Because it’s not my home
It’s their home
And I’m welcome no more
And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure and the privilege is mine
Take me out tonight
Oh take me anywhere
I don’t care, I don’t care, I don’t care
And in the darkened underpass
I thought “Oh God, my chance has come at last”
But then a strange fear gripped me
And I just couldn’t ask
Take me out tonight
Take me anywhere
I don’t care, I don’t care, I don’t care
Just driving in your car
I never never want to go home
Because I haven’t got one
Oh, I haven’t got one
There is a light that never goes out
There is a light that never goes out
There is a light that never goes out
There is a light that never goes out…

O que é você?

Não basta andar, falar, comer, beber, fazer. Também é preciso ser. Ser alguém, algo, alguma coisa que seja.

E para ser, é necessário a essência. Venha ela da onde for. Para ser o que você quer, não basta desejar. Tem que fazer. Fazer por merecer, fazer aparecer, fazer te notarem como o que você é.

E sendo, não pare de ser. Continue indo, andando fazendo acontecer. Ou suma da frente e não atrapalhe aquele que deseja mais forte do que você.

Mova-se. Sempre em frente e com certeza. mas caso a certeza escape de seu alcance, pare. Olhe. Escute. Reflita, e volte atrás aonde você a deixou. E recuperando-a, não cesse sua caminhada rumo ao seus objetivos.

Liberte-se. Não se prenda a nada que não ache justo. Não ache justo àquilo a que não se deve prender. Pois viver na injustiça, já  faz parte das estigmas diárias. Livre-se delas, livre-se dos machucados, livre-se das escaras adquiridas pelo óbvio.

Não seja óbvio. Seja coerente. Acredite na ironia. Ironize algo, ironize a você mesmo, ironize a vida, porque de séria já basta a morte.

Felicidade. Não acredite nessa falácia. Acredite em você.

Moral e bons costumes. Apenas para os fracos.

Descontrua a obviedade, e lute pela liberdade de expressão, e principalmente, pela liberdade de ação.

A ação de permitir-se viver. De permitir-se correr riscos e aceitar verdades, mesmo que elas não sejam suas verdades.

Mastigue o hoje, engula o amanhã. E na manhã seguinte vomite com o orgulho o passado. Aquele mesmo passado que te dá um sorriso na cara, toda vez que retorna ao seu figuramento. Ou caso ele não seja tão bom assim, curta a ressaca da decepção e do arrependimento, mas se preparando, para quando encarar seus semblantes novamente, tomá-los de uma só vez numa bela golada de vitória e supremacia.

Conceitos

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“Não há destino” – Talvez seja a parte que eu mais goste em Matrix. Simples e direta. Não há destinos, não há formas nem formatações a serem praticadas. Só há vontade e moção.

Nascemos tão livres e receptivos, por que nos cegarmos e seguirmos um caminho que não queremos? Por que abdicar do riso diário, da vontade própria, e até mesmo da sua dose homeopática de hedonismo por causa de um conceito?

Já não bastasse as obrigações diárias, o pouco de felicidade e prazer que nos resta, vai aos poucos tendo que ser postergado, para enfim, ser trocado a força pela diversão conceitual que te dominará, pois quem sai dela, é desajustado e imaturo. E é claro que ninguém quer sair do padrão médio não é? Claro que não…

Maturidade: A arte de você deixar de ser o que realmente é, fazer o que realmente gosta, e se acoplar a um rótulo em troca de uma aceitação sob a visão adulta. Ou como eu prefiro definir: A arte de você deixar de ser quem é, deixar de fazer o que gosta e perder seus interesses, para ter que se ajustar a um padrão “pai-de-família-da-classe-média”, ter seu carrinho popular na garagem, sua bela esposa na cozinha, sua casa com cerquinha branca e um cachorro chamado Rex.

Sair desse caminho social, faz os outros te olharem tal qual você fosse uma pessoa com necessidades especiais. Não te levam a sério, acham efêmero, e no fundo, rezam para que você deixe logos suas “manias” e seja “normal”. E claro, olham com o distinto olhar de inquisição dos que acham que você não cresceu.

(Por “manias”, entenda-se todo tipo de diversão social que não seja “adulta” tal qual futebol com os amigos, assistir Faustão e ver a rodada do brasileirão aos domingos.)

Num mundo com tantas possibilidades e caminhos, só temos a perder seguindo conceitos auto-degenerativos e retrógrados como a falácia da maturidade.

Está na hora de perceber que o tal sentido da vida, que tantos procuram, simplesmente não existe. Não existe por que não há um sentido, não apenas um, mas vários. E cada um deles é você quem faz e almeja. Sem precisar se prender a dogmas e conceitos forjados a mãos de ferro na abatida e domada sociedade.